30 anos da Revolução Islâmica no Irã

Por Danilo, 12/11/2009 20:21

Irã

Há exatos 30 anos, no dia 10 de fevereiro de 1979, o Irã deixava de ser uma monarquia constitucional e tornava-se uma República Islâmica, governada pelo chefe ideológico da Revolução, o Aiatolá Khomeini. Vista por alguns historiadores como “a terceira grande revolução da História”, juntamente com a Revolução Francesa e a Revolução Russa (Wright, Sacred Rage, 1996), a queda da monarquia no Irã representou a ascensão do fundamentalismo islâmico como força relevante no quadro das relações políticas domésticas e internacionais.

A importância simbólica da Revolução foi imensa. Mesmo um filósofo pouco afeito à religião, Michel Foucault, saudou a experiência no Irã como “uma possibilidade, para nós esquecida desde o Renascimento e a grande crise do Cristianismo, de uma espiritualidade política. Eu já consigo ouvir os franceses rindo, mas eles estão errados“. Embora a louvação de Foucault esteja enganada em vários aspectos, o filósofo acertou ao dizer que a Revolução Iraniana, assim como a Francesa e a Russa, era notadamente ecumênica e, ao contrário do que os secularistas afirmavam, o islamismo era capaz de unificar a vontade geral de vários povos.

Contudo, o modelo de governo do Irã não se espalhou por outros países do mundo. A Revolução serviu aos países árabes mais como símbolo do que como prática de organização política. Nas palavras de um analista, “its primary influence and to some extent its renewed influence under [Iranian President Mahmud] Ahmadinejad is in many ways in symbolism — this is putting aside, of course, its influence of financial and military support to certain groups — the symbolism of defiance“. Não é pouco, certamente, mas, na prática, não é tudo aquilo que se supunha.

A Revolução sobreviveu a muitas provações: à Guerra Iraque-Irã, de 1980, na qual Saddam Hussein, ao pressupôr que o Irã estava frágil devido à sua Revolução, achou que era uma boa chance para invadir o país – mas errou; pelo desprezo de Khomeini pela economia, houve um aumento de 45% da pobreza absoluta no Irã, e a maior emigração da história do país; cresceu significativamente a opressão às outras religiões existentes no Irã, sobretudo aos Bahá’ís; e mesmo os descendentes diretos do Aiatolá Khomeini criticam abertamente o atual regime. Além disso, o Irã faz parte do “Eixo do Mal” da política externa de George W. Bush, e embora o presidente Obama tenha a intenção de começar uma rodada de negociações com o governo de Teerã, não é possível afirmar com clareza as atuais posições desse país.

Podemos dizer que, nesse aniversário de 30 anos, encontramos a Revolução consolidada e estável. O plano de Khomeini, por esses termos, deve ser considerado um sucesso. Resta saber, todavia, se isso é bom para os iranianos. Como dizia o general Emílio Garrastazu Médici, nos tempos mais duros de nossa história recente, “O Brasil vai bem, mas o povo vai mal“. Talvez isso seja verdade para todos os regimes autoritários, militares ou religiosos.

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