O melhor disco do ano: Mastodon – “Crack The Skye”

Em um post anterior, eu disse que o pior disco do ano já havia sido lançado. Posso repetir sem medo de errar: até agora, “Scream“, de Chris Cornell, ainda não tem concorrente à altura na categoria “Discos Horríveis de 2009″. Mas como todo mundo diz, falar mal é fácil. Hoje eu venho aqui fazer o contrário. Vou recomendar um disco excelente: “Crack the Skye“, do Mastodon.
Para quem não conhece a banda, aqui vai uma breve introdução: o Mastodon foi formado em 1999, na cidade de Atlanta, e podemos definir o seu estilo como “Progressive/Sludge Metal”. Ou seja, os caipiras tocam rock pesado, mas possuem melodias complexas, harmonias sofisticadas e timbres bem diferentes nas músicas. Na minha opinião, eles têm o melhor dos dois mundos: a energia do heavy metal e a técnica do progressivo, sem cair nos excessos de um ou de outro. Não é à toa que o Mastodon é, atualmente, considerada a melhor banda do “New Wave of American Heavy Metal“, mesmo enfrentando concorrentes de peso como Lamb of God, Killswitch Engage e Trivium.
Depois de lançar três discos muito bons – os dois últimos, “Leviathan” e “Blood Mountain“, são estupendos – o Mastodon chega seu “Vol. 4” com muito estilo: “Crack The Skye” não fica devendo nada aos antigos lançamentos dos caras. Muito pelo contrário: aqui, as melodias, ao que me parece, estão ainda mais bem-elaboradas e o vocais muito caprichados. Bom, do instrumental eu não vou nem falar: não há como não se surpreender com os riffs, solos de guitarra e viradas de bateria no CD. São de deixar qualquer um boquiaberto, com certeza.

Mas vamos começar por onde se deve: pelo começo. A primeira coisa que você percebe ao pegar o CD nas mãos, é que a arte do disco é muito, muito bonita. O encarte é excelente, e o trabalho do ilustrador é impecável. O site que os caras fizeram para promover o disco, http://www.cracktheskye.com/, tem as mesmas imagens do CD. Dê uma passada lá e você vai entender porque eu estou falando tão bem da arte do álbum.
As letras do disco, por sua vez, são bem distintas: tragédias familiares, viagens astrais, teorias dos “wormholes”, e até Rasputin e a Rússia Czarista (!!) aparecem, curiosamente, todos interligados. Embora seja um pouco estranho à primeira vista, com o tempo você consegue perceber que a mensagem funciona, e como as músicas estão tão bem encaixadas nas palavras, nada soa forçado. Nada mesmo. Aliás, isso é algo a se destacar: embora a maioria das faixas sejam grandes (”The Tzar” tem 11 minutos, e a belíssima “The Last Baron” tem 13), em momento algum o disco parece arrastado, e as músicas prendem a atenção do ouvinte o tempo todo. Como disse o pessoal do Pitchfork Media, “Mastodon operates something like prime-era Metallica, unleashing these huge, blistering tracks that journey over peaks and valleys and ditches and oceans before leaving you spinning“. Falaram tudo. Embora “Crack the Skye” seja menos pesado do que “Leviathan” e “Blood Mountain“, as variações são mais intensas, e eu acho isso ótimo. Quase ninguém sabe mais fazer esse tipo de coisa no rock pesado, não é?
Tudo no disco é complexo, honesto e orgânico. Não há como não ouvir isso logo de cara. As primeiras duas músicas, “Oblivion” e “Divinations”, disponíveis no MySpace do quarteto, já mostram o espírito do disco. Clique ali e ouça também a melhor música do disco que, em minha opinião, é “The Last Baron”.
Sem mais, esse é o melhor disco que ouvi esse ano. Além disso, não só é o álbum que recebeu as maiores notas em 2009, de acordo com o Rate Your Music, mas também levou 97% de aprovação no rigoroso Encyclopeadia Metallum. Não é para menos: é metal de vanguarda, de primeiríssima qualidade. Compre, pegue emprestado, alugue, roube, não importa: mas por favor, ouça o som dos caras. Se puder, compre a edição limitada do CD, que vem com uma linda litografia da capa. Mas, de qualquer forma, o que importa é a música. E aqui ela é nota 10, sem sombra de dúvida.
p.s.: Achei um making of do disco no YouTube, dêem uma olhada: