Category: Brasil

Brazil deserves criticism for awful foreign policy

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Por Danilo, 12/11/2009 20:40

Brazil, Latin America’s biggest country, has received well-deserved praise in recent years for its responsible economic policies. But, increasingly, it is coming under fire for its shameless support for dictatorships around the world.

There is hardly a dictator — or repressive government — that Brazil doesn’t like, human rights groups say.

Last week, when Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva addressed the United Nations Human Rights Council, he was greeted with a chorus of complaints about his foreign policy from Amnesty International, Human Rights Watch and other major human rights groups.

”Brazil’s support for abusive governments is undermining the Human Rights Council’s performance,” said a June 15 statement by Julie de Rivero, Human Rights Watch advocacy director in Geneva.

President Lula is taking his policy of not engaging in fights with other countries too far, critics say.

Last year, after Venezuelan President Hugo Chávez had closed down his country’s biggest independent television station, RCTV, Lula told the German magazine Spiegel that “Chávez is without a doubt Venezuela’s best president in the last 100 years.”

Similarly, after meeting with semi-retired dictator Fidel Castro during a visit to Cuba in January 2008, Lula said he hoped Castro would soon return to assume his ”historic role,” and praised his “incredible lucidity.”

VOTING RECORD

More recently, Brazil’s votes at the U.N. Human Rights Council often have been more aligned with totalitarian countries than with left-of-center Latin American democracies such as Argentina, Uruguay and Chile. Among recent examples:

In May, Brazil abstained in a vote on a Cuba-sponsored resolution aimed at stopping the council from monitoring human rights violations in Sri Lanka, where the U.N. high commissioner for human rights had denounced widespread war crimes. By comparison, Argentina, Chile, Mexico and the European Community voted for the continuation of the probe.

In March, Brazil abstained in a similar vote on whether to continue U.N. human rights monitoring of North Korea, where U.N. monitors were looking into reports of executions and huge detention camps. By comparison, European countries, Argentina, Chile and Uruguay voted in favor of continuing the U.N. monitoring mission.

Also in March, Brazil abstained in a European Union-sponsored vote to stop an African proposal aimed at weakening U.N. probes into abuses in the Republic of Congo. By comparison, Argentina, Chile, Uruguay and even hard-line leftist Nicaragua voted in favor of continuing the probes.

In February, during the council’s review of Cuba’s human rights situation, Brazil said it ”welcomes” Cuba’s ”constructive stance” in the U.N. human rights system and did not specifically mention that country’s political prisoners, or the absence of freedom of the press and other fundamental rights.

”Brazil regards human rights as an obstacle for its strategic goals,” Human Rights Watch Americas Director José Miguel Vivanco told me in a telephone interview. “It believes its support for Third World, anti-colonialist policies should take precedence over human rights considerations.”

Vivanco added that, in Latin America, “Mexico is a model country when it comes to its foreign policy stands on human rights, followed by Chile, Argentina and Uruguay. Brazil is at the other side of the spectrum.”

Asked about the growing criticism of Brazil’s foreign policy, Lula’s presidential advisor Marco Aurélio Garcia was quoted by the daily O Estado de Sao Paulo on June 14 as saying, ”Brazil doesn’t have to be handing out certificates of good conduct or bad conduct around the world.”

He added, “We think it’s much more important to take positive actions that can move a country toward improving its internal situation than actions of a restrictive nature.”

TIME FOR A CHANGE

My opinion: Brazil — and its president — deserve a lot of credit for becoming a model of economic stability, poverty reduction and political freedoms in a region where many other countries are going backward on all three fronts.

But its foreign policy stinks. Brazil should adhere to its commitments under international treaties to defend universal human rights and democratic principles, and stop praising dictators. If Lula continues to turn a blind eye to human rights abuses around the world, he will be setting a precedent for future governments to crush human rights in his own country.

P.S.: Late last week, perhaps as a result of human rights groups’ criticisms, Brazil cast a rare vote alongside pro-human rights countries at the U.N. Council on Sudan. Let’s hope this marks the beginning of a change in Brazil’s awful foreign policy.

Source: Andres Oppenheimer, from The Miami Herald.

Briga no STF: Joaquim Barboza e Gilmar Mendes

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Por Danilo, 12/11/2009 20:35

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa bateram boca nesta quarta-feira no plenário do tribunal. Barbosa acusou o presidente da Corte de estar “destruindo a credibilidade da Justiça brasileira” durante o julgamento de duas ações –referentes ao pagamento de previdência a servidores do Paraná e à prerrogativa de foro privilegiado. Veja o vídeo da discussão.

“Vossa excelência me respeite. Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país e vem agora dar lição de moral em mim. Saia à rua, ministro Gilmar. Faça o que eu faço”, afirmou Barbosa.

Em resposta, Mendes disse que “está na rua”. Barbosa, por sua vez, voltou a atacar o presidente do STF. “Vossa Excelência não está na rua, está na mídia destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro.”

Irritado, Mendes também pediu “respeito” a Barbosa. “Vossa Excelência me respeite”, afirmou. “Eu digo a mesma coisa”, respondeu o ministro.

Os ministros Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello atuaram como “bombeiros” para tentar encerrar o bate boca. “A discussão está descambando para um campo que não coaduna com a disciplina do Supremo”, disse Marco Aurélio ao pedir o encerramento da sessão.

Barbosa chegou a afirmar que Mendes não estava falando com os seus “capangas de Mato Grosso”. O ministro disse que decidiu reagir depois que Mendes tomou decisões incorretas sobre os dois processos analisados pela Corte.

“É uma intervenção normal regular. A reação brutal, como sempre, veio de Vossa Excelência. Eu simplesmente chamei a atenção da Corte para as consequências dessa decisão”, afirmou Barbosa.

Mas Mendes reagiu: “Não, não. Vossa Excelência disse que faltei aos fatos. Não é verdade.”

Em tom irônico, o Barbosa disse que o presidente do STF agiu com a sua tradicional “gentileza” e “lhaneza”. Mendes reagiu ao afirmar que Barbosa é quem deu “lição de lhaneza (lisura)” ao tribunal. “Vamos encerrar a sessão”, disse Mendes para encerrar o bate-boca.

A discussão ocorreu enquanto o plenário do STF analisava dois recursos apresentados ao tribunal contra leis julgadas inconstitucionais pela Corte. Uma das ações questiona a lei que criou o Sistema de Seguridade Funcional do Paraná, em 1999. O segundo recurso questiona lei, considerada inconstitucional pelo STF, que definiu que processos contra autoridades com foro privilegiado continuam sob análise do tribunal mesmo após o réu não estar mais na vida política.

Após o fim da sessão, os ministros se reuniram para discutir o episódio.

Fonte: Folha Online.

Um grande Maranhão

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Por Danilo, 12/11/2009 20:34

Na sua já célebre entrevista a Veja, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) concluiu explicando o motivo pelo qual seu partido quer cargos: “Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral.”

Antes que secasse a tinta que imprimiu as declarações de Jarbas, como se para comprová-las e ridicularizar a nota de frouxa indignação emitida pelo PMDB, veio à luz o episódio exemplar do Real Grandeza, o fundo de pensão de Furnas. A operação de tomada de assalto da direção do fundo, que administra um patrimônio de R$ 6,3 bilhões, foi tramada dentro do Executivo, pelo ministro Edison Lobão, que agia ostensivamente em nome do PMDB, e brecada na última hora por intervenção de um presidente da República acossado pela mobilização dos funcionários e pensionistas da estatal.

Lobão abriu sua ofensiva por meio de uma entrevista a O Globo na qual acusou os dirigentes do Real Grandeza de praticarem “uma bandidagem completa” e promoverem “uma grande safadeza” com a finalidade de “não perder a boca”. Se as palavras do ministro tivessem significado, ele pediria demissão na hora em que foi desautorizado pelo presidente. Na outra ponta, Lula não o desautorizaria sem o demitir, se a privatização da coisa pública não fosse moeda corrente no negócio que mantém com o PMDB. Mas Lula e Lobão nem sequer coraram: eles conhecem as regras do jogo.

Pedro Simon, um homem inocente, exigiu de Jarbas uma lista de nomes dos corruptos. Jarbas não fez uma denúncia de corrupção, mas um diagnóstico político, que solicita complementos. O sistema político brasileiro, reorganizado nos estertores da ditadura militar, articula-se ao redor de quatro grandes partidos: PT, PSDB, DEM e PMDB. Os três primeiros veiculam, bem ou mal, narrativas ideológicas sobre o Brasil e o mundo. O quarto, contudo, não é de fato um partido, mas a expressão maior do cancro patrimonialista que envenena todo o sistema político. No fundo, o PMDB é uma abóboda sob a qual se abrigam comandos de captura parcelar do Estado.

“O patrimonialismo é a vida privada incrustada na vida pública”, escreveu Octavio Paz. Na mesma passagem de O ogro filantrópico, ele aponta o paradoxo crucial do Estado mexicano, que foi “o agente principal da modernização” mas “ele mesmo não conseguiu se modernizar inteiramente”. O peso do passado manifesta-se na atitude do chefe do governo, que “considera o Estado como seu patrimônio pessoal” e, por essa razão, o corpo de funcionários públicos, “dos ministros aos contínuos e dos magistrados e senadores aos porteiros, longe de constituir uma burocracia impessoal, forma uma grande família política ligada por vínculos de parentesco, amizade, compadrio, conterraneidade e outros fatores de ordem pessoal”. O Brasil não experimentou uma revolução que se institucionalizou como partido oficial. Mas aqui, como lá, jamais se traçou uma fronteira nítida entre a “vida privada” e a “vida pública”. O PMDB só existe porque inexiste esta fronteira.

Um tema crucial na literatura de oposição à ditadura militar brasileira era a crítica ao poder da chamada tecnoburocracia. Os militares excluíram os políticos do núcleo do aparelho de Estado. A ARENA, partido oficial da situação, acolheu a parcela da elite política conformada com a subordinação imposta. No MDB, partido oficial da oposição, abrigaram-se os políticos insatisfeitos, que almejavam retornar ao centro do palco. A transição negociada de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves representou um triunfo do MDB. A tecnoburocracia retrocedeu e restaurou-se o acesso da elite política às fontes da riqueza pública. Sob a presidência de Sarney, o líder da ARENA transferido para o PMDB, salgou-se a terra em que germinava a oportunidade de uma reforma modernizante do Estado.

No México dos tempos áureos do PRI, as maiorias parlamentares eram automáticas. No Brasil, são construídas pelo Executivo, por meio da privatização oculta dos fragmentos mais cobiçados do aparelho de Estado. A corrupção é a face complementar da degradação do Parlamento. O PMDB é, por natureza, o eterno partido da situação. De Sarney a Lula, o partido sem programa nem idéias configurou as maiorias governistas de todos os presidentes. Agora, no acender das luzes da campanha de 2010, os peemedebistas formam provisórias colunas distintas, alinhadas atrás dos principais candidatos ao Planalto. O PMDB estará na próxima base governista, com Serra, Dilma, Aécio ou Ciro, praticando o esporte no qual se especializou: chantagear presidentes, vendendo apoio parlamentar em troca de cargos que servem como chaves para “manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral”.

O PMDB descrito por Jarbas, uma hidra de múltiplas cabeças, tem em Sarney sua figura icônica. O representante parlamentar do poder militar em crise, o presidente improvável que distribuía freneticamente concessões de rádio à sua vasta curriola enquanto o país naufragava no mar da hiperinflação, o “oligarca eletrônico” do pobre Maranhão, na síntese precisa empregada recentemente pela revista The Economist, converteu-se anos atrás em aliado interessado de Lula. Nessa condição, ele controla uma fatia do Estado, na qual se encontram o ministério e as estatais subordinadas a seu afilhado político Lobão. Agora, com o patrocínio de um Lula que só tem olhos para 2010, a personificação do patrimonialismo retorna à presidência do Senado. Como disse Jarbas, seu desígnio é transformá-lo “em um grande Maranhão”.

Por Demétrio Magnoli.

Somos todos ladrões?

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Por Danilo, 12/11/2009 19:57

Mais uma excelente indicação da Giovana. Desta vez, trata-se de uma crônica de João Ubaldo Ribeiro.

Somos todos ladrões?

Por João Ubaldo Ribeiro.

Não, sério mesmo, somos todos ladrões? Gostamos muito de criticar “o brasileiro”, como se não fôssemos brasileiros também. Mas somos e, portanto, o certo não é perguntar se o brasileiro é ladrão, mas se podemos ser descritos como um povo constituído basicamente de larápios, aí compreendidos os corruptos de toda sorte, até mesmo os que recebem um “por fora” com a expressão honrada de que não estão fazendo nada de errado, estão fazendo o que há séculos vem sendo feito. Foi a primeira coisa, por exemplo, que o presidente Lula disse, quando começou a revelação de irregularidades no financiamento de sua campanha política – é assim que sempre se fez neste país.

Ele tinha razão, claro. É assim que sempre se fez e assim se continua fazendo, em todos os setores. E é interessante esse negócio de “o brasileiro” nunca incluir quem está fazendo a crítica. Ele pessoalmente é honestíssimo, mas o brasileiro é desonesto por natureza. Os políticos ladrões, por exemplo são uma espécie extraterrestre vinda não se sabe donde, não são gente como nós, com a mesma língua, os mesmos costumes e a mesma cultura. Observação igual pode ser feita em relação a juízes e desembargadores ladrões, policiais e fiscais idem e assim por diante. Tudo “brasileiro”, é impressionante.

Não me esqueço de uma festinha a que fui, faz muitos anos. O dono da casa era sogro de um amigo meu e nos conhecemos nessa noite. Bem-falante, articulado e espirituoso, iniciou, quando soube que eu era jornalista, uma longa palestra sobre a desonestidade do brasileiro. Com toda a certeza a razão principal era que descendíamos do que de pior havia em Portugal, degredados, criminosos de toda espécie, a escória mesmo. Daí estar no sangue a desonestidade do brasileiro, políticos e autoridades eram de enojar, de causar asco invencível. Ele, em sua longa carreira de funcionário da alfândega (ou coisa semelhante, foi mesmo há muito tempo e não lembro direito), já tinha visto de tudo, não acreditava em mais nada, o brasileiro era preguiçoso, lerdo, descarado e ladrão, a verdade era essa.

Isso se passava numa casa muito ampla e confortável, entre doses generosas de uísque escocês e outras bebidas estrangeiras, com fundo musical saindo de um esplêndido aparelho americano. Num dos intervalos da palestra, o genro dele e meu amigo comentou que, bebendo daquele uísque, estávamos a salvo de falsificações, era tudo legítimo, apreendido como contrabando. Isso mesmo. Aquele Catão cuja voz tornava a reverberar de indignação moral contra gatunos e corruptos estava servindo uísque contrabandeado, ouvindo uma eletrola (naquela época, aparelho de som se chamava assim) contrabandeada, numa casa que seu salário não permitiria, etc., etc. Naquela época, ainda muito jovem, achei que ele era exceção, mas um diabinho aqui insiste em que é a regra, a qual, quanto mais vivemos, mais se comprova. Podia haver catadura mais austera e severa do que a do juiz Lalau?

E vocês já notaram como o brasileiro (nunca nós, nós não, nós estamos fora dessa), se bem observado, fala no político ladrão com um ar meio cúmplice, quase admirando a esperteza do indigitado? Quando é do tipo rouba-mas-faz, a admiração às vezes até se manifesta abertamente. São raras a indignação, a raiva ou a revolta. Mesmo os que o chamam de ladrão safado dizem isso muitas vezes quase carinhosa e compreensivamente. Em outras culturas, o furto de dinheiro público é mais grave do que o furto de um bem particular. Não sei se devem existir gradações nesse caso, mas, entre nós (perdão, leia, em vez de “entre nós”, “para o brasileiro”), há bastante mais compreensão ou mesmo simpatia para com o ladrão do dinheiro público.

Além disso, ninguém é punido, a não ser o pobre mesmo. São raríssimos os casos em que o ladrão rico vai para a cadeia. Quando vai, demora pouco e não devolve o dinheiro afanado. O provérbio está com a conjunção errada, é uma aditiva, não uma adversativa. Não é “a justiça tarda, mas não falta”; é “a justiça tarda e falta”. Em toda parte, em qualquer setor de atividade, todo dia se revela mais um caso de roubalheira ou maracutaia. Mas ninguém que tenha poder, seja econômico ou político, é punido. Suspeito que o brasileiro presta mais atenção no que as pessoas fazem e não no que elas dizem e aí fica patenteado que roubar pouco é que é burrice. Roubar muito é o certo e o brasileiro é esperto e malandro. Cada um procura suas melhoras e fala mal quem tem inveja, ou não teve coragem e competência para se locupletar.

O brasileiro é tão irremediavelmente safado, que nós, outros, temos até dificuldade em ajudar o próximo. Diante da tragédia em Santa Catarina, nós demonstramos solidariedade e fraternidade. De todo o país seguiram doações, inclusive dinheiro, e apresentaram-se voluntários para ajudar de alguma forma, o País se mobilizou. Mas o brasileiro, sabe como é, o brasileiro não tem jeito. E lá foram pilhados diversos brasileiros furtando as doações, a ponto de aqueles entre nós que mandaram dinheiro desconfiarem que a grana foi parar no bolso de algum deles.

Bem, tudo isso já foi dito e redito e nunca adiantou nada. Claro que não somos ladrões, ninguém aqui é ladrão, ladrão é o brasileiro. Temos de mudar a mentalidade e os valores do brasileiro e, verdade seja dita, estamos aperfeiçoando o regime aos poucos. Agora mesmo, o Senado aprovou a recriação de mais de sete mil vagas de vereador, que haviam sido extintas. Os senadores garantem que não haverá aumento nos gastos federais, porque há um limite constitucional para o repasse de verbas, que permanece inalterado. Menos mal. Só falta agora que os vereadores não sejam brasileiros, porque o brasileiro é realmente sabidíssimo e começa a carreira de ladrão no município mesmo.

13/12/2008: 40 anos do AI-5

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Por Danilo, 12/11/2009 19:51

Na data de hoje, há 40 anos, o Conselho de Segurança Nacional anunciou em rádio e TV o Ato Institucional n.º 5, que suspendeu os direitos políticos e garantias institucionais, incluindo a do habeas corpus. O Ato previa também possibilidade de intervenção do poder federal em Estados e municípios e o fechamento do Legislativo. Caía por terra a casca legalista do Golpe de 1964: o regime então mostrava-se francamente arbitrário e centralizador, fazendo uso de sórdidas medidas repressivas em nome da “Segurança Nacional”.

A Folha de São Paulo fez um site especial sobre o tema: FSP – 40 Anos do AI-5.

Que essa seja a última página negra de nossa democracia.

Garças e tucanos bicam a crise

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Por Danilo, 12/11/2009 19:51

Fonte: Vinícius Torres Freire, da Folha de São Paulo. O livro, em formato pdf, está disponível neste link: Edmar Bacha e Ilan Goldfajn (orgs.) – Como reagir à crise.pdf

Garças e tucanos bicam a crise

Economistas de FHC e ligados ao tucanato apresentam em livro sugestões para atenuar os efeitos da crise no Brasil.

ECONOMISTAS que integraram o governo FHC e companheiros de viagem do tucanato reuniram sugestões contra a crise num livro virtual a ser publicado em breve. Trata-se de “Como Reagir à Crise”, coletânea organizada por Edmar Bacha e Ilan Goldfajn e editada pela Casa das Garças, instituto de estudos econômicos liberal.

Do primeiro escalão do governo FHC escrevem Pedro Malan, Chico Lopes, Gustavo Franco, Edmar Bacha, Armínio Fraga e André Lara Resende. Os autores, menos um, trabalham no mercado financeiro ou são consultores financeiros. Para não baratear ainda mais os argumentos, citemos apenas sugestões de Franco, Bacha e Fraga. Franco é otimista. Não vê excessos no crédito, embora demasias nos IPOs e no mercado de capitais tenham causado exageros no setor imobiliário e de biocombustíveis.

Empresas e bancos são pouco alavancados. O contágio deveu-se à seca de crédito externo. O excesso de compulsórios, porém, piorou a crise, pois já elevava o custo de captação de bancos. Para que o crédito volte a fluir, sugere: 1) reduzir compulsórios; 2) mudar a rolagem da dívida pública de curtíssimo prazo, “com alguma “punição” para o excesso de recursos de bancos repassados ao BC”; 3) reduzir impostos sobre empréstimos a fim de baixar o “spread” bancário; 4) criar um seguro para empréstimos interbancários.

Para Franco, “não temos fraquezas fiscais”. Mas rejeita ainda mais gasto público. Sugere, ao invés, menos imposto sobre o investimento privado. Critica a inabilidade da política de reservas e de câmbio, em especial a lenta reação do BC ao estouro dos derivativos cambiais. Bacha e Fraga observam que país caminhava para déficits externos insustentáveis, dados o excesso de consumo privado e de gasto público e a valorização do real, devida também a juros altos. Tal situação se sustentava apenas devido ao boom da exportação de commodities. A seca de crédito e o fim do boom deram cabo da bonança.

Bacha propõe que se facilite a transferência de recursos, via crédito, do setor de commodities para manufaturas que ora ganham competitividade. Quanto à seca de crédito, sugere recorrer a “nossos vícios que se tornaram virtudes”. Isto é, usar as reservas internacionais (”viciadas” porque financiadas por dívida pública), bancos estatais e reduzir os altos juros e depósitos compulsórios. “Medidas de política creditícia compensatória atacam o mal pela raiz.” Fraga é mais refratário ao uso de bancos estatais contra a crise: se bancos privados limitam o crédito, é porque temem perder dinheiro. Há riscos nessa receita, diz Bacha: inflação, real ainda mais fraco, empréstimos ruins de bancos estatais. Além do mais, o risco de déficit externo alto persistirá se o crescimento seguir forte. Fraga diz o mesmo, de modo menos pessimista.

“Quanto maior controle sobre o gasto corrente do governo, maior poderá ser a expansão creditícia compensatória sem afetar negativamente as contas externas”, escreve Bacha. “Caso o governo exagere na dose anticíclica fiscal e creditícia, corre-se o risco de se desperdiçar uma possível, rara e não muito distante oportunidade de redução da taxa de juros”, escreve Fraga.

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Para fazer o download do livro, em formato pdf, clique aqui: Edmar Bacha e Ilan Goldfajn (orgs.) – Como reagir à crise.pdf

Águas: uma análise de ‘Estudos Avançados’

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Por Danilo, 12/11/2009 19:48

Um dos órgãos mais conceituados da Universidade de São Paulo é seu Instituto de Estudos Avançados (IEA). Fundado em 1986, o IEA é um centro de estudos multidisciplinar, que visa à produção e difusão social do conhecimento no Brasil. Não é preciso nem dizer que ali estão alguns dos maiores nomes da USP.

O Instituto possui também uma excelente publicação, a “Revista do IEA“, que está disponível para leitura gratuitamente no portal Scielo. A última edição traz um “Dossiê Água”, que achei muito intessante. Vale uma boa leitura!

Aqui vai o link: Revista do IEA – Dossiê Água.

Até mais!

Criacionismo no Mackenzie

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Por Danilo, 12/11/2009 19:45

Por Marcelo Leite, da Folha de São Paulo.

Criacionismo no Mackenzie

Colégio prega idéia de origem religiosa em aula de ciências

O Instituto Presbiteriano Mackenzie abrange uma universidade e uma escola das mais tradicionais de São Paulo. Só na unidade paulistana do colégio há mais de 1.800 alunos. Seu campus no quarteirão ladeado pela avenida da Consolação e pela rua Maria Antônia é um ponto de referência na cidade.

Talvez poucos se dêem conta de que se trata de um estabelecimento confessional de ensino. Isso está bem explícito no nome da instituição, porém. Agora o Colégio Mackenzie é também, oficialmente, criacionista.

Criacionismo é a doutrina segundo a qual Deus criou o mundo com todas as espécies que existem hoje. Isso contradiz a explicação darwinista para a diversidade biológica, fruto da evolução por seleção natural. Inúmeras observações comprovam postulados centrais do darwinismo, como a ascendência comum (todas as espécies provêm de um ancestral único).

O fato de o DNA ser a molécula da hereditariedade em todas elas é a melhor prova desse princípio. Os primeiros seres vivos da Terra “inventaram” essa maneira de transmitir características de uma geração a outra, há cerca de 4 bilhões de anos, e ela se perpetuou desde então.

A direção do Mackenzie não nega os avanços da biologia trazidos pelo darwinismo, mas acredita que é preciso opor-lhe o contraditório. Em outras palavras: ensinar a seus alunos que há outra explicação, de fundo religioso, para a origem das espécies.

Quase 200 anos depois de Charles Darwin (1809-1882) e 150 após a publicação de sua grande obra, “Origem das Espécies”, os educadores do Mackenzie aceitam só o que chamam de “microevolução” (organismos se adaptam a novas condições do meio).

Não, porém, a “macroevolução” (tal adaptação não seria suficiente para originar novas espécies, em verdade criadas por Deus).

A doutrina criacionista não é apresentada somente nas aulas de religião, mas igualmente nas de ciências. Em 2008 foi usada nos três primeiros anos do ensino fundamental 1, ainda em fase piloto, uma série de apostilas traduzidas e adaptadas de material da Associação Internacional de Escolas Cristãs (ACSI, na abreviação em inglês), com sede no Colorado, nos Estados Unidos.

A coleção utilizada com crianças de 6 a 9 anos se chama Crescer em Sabedoria. Na capa do volume do terceiro ano estava estampado “Ciências – Projeto Inteligente”.

É uma alusão ao argumento do “design inteligente”: a natureza é tão complexa e os organismos tão perfeitos que só o desígnio de um arquiteto (Deus) pode ter sido responsável por sua criação. “Quando Deus formou a Terra, criou primeiro o ambiente. Criou elementos não vivos, como o ar, a água e o solo. Depois, Deus criou os seres vivos para morarem nesse ambiente”, afirma-se na pág. 10. O item 2.1 do volume se chama “O plano de Deus para os ambientes”.

Pode ser lido na pág. 17: “Deus projetou as cores e as formas de cada animal e o colocou em um ambiente que era perfeito para eles [sic]. Quando um animal usa suas cores ou formas para se esconder em seu ambiente, dizemos que ele está camuflado”.

A direção do Mackenzie justifica a omissão da evolução por seleção natural, nessa apostila de ciências, dizendo que se trata de conteúdo previsto apenas para o ensino fundamental 2. Além disso, o material da fase piloto de 2008 foi revisto e a ênfase religiosa, atenuada, mas não excluída.

Darwin, todavia, continua de fora. Só uma dúzia de pais reclamou.

Fonte: Folha de São Paulo. É assombro ver tamanho obscurantismo em pleno século XXI, ainda mais em uma das ditas “boas escolas” desta cidade. Tal retrocesso científico é, no mínimo, uma lástima para um País ainda muito carente de esclarecimento.

Amélia não irá para a USP no ano que vem.

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Por Danilo, 12/11/2009 19:41

Da Folha de São Paulo.

Amélia, 80, interrompe sonho de ter vaga na USP para comprar geladeira

CATHARINA NAKASHIMA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Amélia Pires fará 80 anos em 6 de dezembro um pouco mais distante de seu sonho. Desde 2004, presta a Fuvest.

Quer um diploma do curso de administração da USP. Neste ano, porém, não esteve entre os 138.242 aspirantes a vaga na universidade. A geladeira estava imprestável, e o dinheiro da inscrição -ajuda de um sobrinho- foi usado para pagar a prestação de uma nova.

Moradora da Vila Paulicéia (zona norte de SP), Amélia vive sozinha com seu cachorro, Leandro -homenagem ao cantor. Não tem televisão.

Prefere prestar atenção às letras das músicas no rádio.

Acorda às 6h, passeia com o cão, arruma a casa e começa a se preparar para “ir à escola”.

Troca os chinelos de pelúcia por sandálias de salto plataforma, o que acrescenta estatura ao seu 1,50 m. Sai às 10h rumo à Cidade Universitária, zona oeste, onde chega em 90 minutos se o trânsito é bom.

Amélia nasceu em Guaranésia (sul de MG). O pai era administrador da fazenda em que viviam. Aos 11 anos, já estava em São Paulo. Começou a trabalhar com contabilidade aos 14 -aprendeu sozinha, graças à habilidade com os números. Até hoje, no vestibular, sai-se melhor em matemática.

Aposentada, fez supletivo e cursou Biologia na USP, via programa Universidade Aberta para a Terceira Idade, interrompido por falta de estrutura quando faltaram três disciplinas para ela concluí-lo.

Em uma das greves na USP, conheceu aquele que se tornaria seu padrinho nos estudos, o ex-reitor Jacques Marcovitch (1997-2001). Ele a chamou para suas aulas e palestras na FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP). Tornaram-se amigos, trocam cartões de aniversário e Natal.

Amélia insistiu no sonho do diploma. Fez um ano de cursinho e, na primeira foto para o formulário da Fuvest, em 2004, usou até seu colar de pérolas. Continua indo, todos os dias, à biblioteca da FEA.

Decide ela mesma o que vai estudar, seguindo o que pode cair no vestibular. No momento, dedica-se à álgebra.

Em seu RG, mantém o adesivo da prova do ano passado. Diz que não vai tirar. Ano que vem espera voltar a fazer a Fuvest, e reza para que os dias, marcados num calendário de um cursinho famoso da cidade, passem bastante rápido.

Ajude a Grameen Foundation

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Por Danilo, 12/11/2009 19:33

Provavelmente alguns de vocês conhecem o economista Muhammad Yunus. Para os que ainda não tiveram o prazer de ouvir falar deste senhor, darei uma pequena apresentação.

Yunus é o ganhador do Prêmio Nobel de 2006. Mas não o de Economia, e sim o da Paz (o qual, cá entre nós, é muito mais nobre :) ). Ele foi premiado por seu trabalho junto ao banco que fundou, o Grameen Bank (”Banco das Vilas”), uma das primeiras instituições a fornecer microcrédito no mundo. Por meio desses modestos empréstimos, Yunus ajudou uma série de famílias de seu país natal, Bangladesh, a montarem seus próprios negócios. Vale lembrar que esse “banqueiro dos pobres” cedia a maior parte dos recursos às mulheres. Dessa forma, Yunus, além de ajudar a economia local, fortalecia a democracia, uma vez que dava poder a um grupo tradicionalmente oprimido em seu país.

Com efeito, Yunus conseguiu gerar “círculos virtuosos” em um grande número de economias locais. Embora o microcrédito não é, nem será, suficiente para eliminar a pobreza do mundo, os pequenos empréstimos são, certamente, um passo importante nesse sentido. E o comitê do Prêmio Nobel também concorda com isso. Merecidamente, Yunus levou o diploma e mais 10 milhões de coroas suecas em 2006 (dinheiro que inteiramente doado para a construção de um hospital para cegos, pois na cidade natal de Yunus não existe um).

A Grameen Foundation é o braço internacional do Grameen Bank. A instituição faz empréstimos para mulheres de várias partes do mundo começarem seus negócios. E a fundação não doa o dinheiro: ela o empresta, mas a juros baixos e prazos muito longos. Ou seja: sua doação será paga à Grameen, que poderá novamente fornecê-la como crédito, etc. De acordo com os estudos da fundação, em 4 anos, cerca de 70% das pessoas que receberam o empréstimo conseguiram sair da pobreza. É um número muito bom, não é?

E você também pode ajudar. Acesse o site da Grameen Foundation e veja que colaborar custa pouco. Por 40 reais, você compra uma camiseta da fundação; por 200 reais, você cria uma microempresa; por 3 mil reais (aqueles que trabalham em empresas podem conseguir esse dinheiro, dividindo a doação entre os colegas), você dá 5 anos de estudo para uma criança, com alimentação, vestuário e livros.

Como é de se esperar, sua doação é totalmente anônima.

Se você puder colaborar, faça. Se não quiser ajudar essa instituição, ajude outra de sua confiança. Caso você não queira, ou não possa, ajudar financeiramente nenhuma instituição, dê um pouco do seu tempo. Certamente, neste exato momento, há alguém que ficaria feliz com sua ajuda.

Muito obrigado por sua atenção. Segue aqui um pequeno vídeo, do próprio Muhammad Yunus:

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