Category: Literatura

Hans Magnus Enzensberger em São Paulo

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Por Danilo, 12/11/2009 20:36

Expoente da chamada “geração crítica”, engajada contra o autoritarismo na Alemanha desde a 2ª Guerra até os acontecimentos pós-68, o escritor, poeta e intelectual alemão Hans Magnus Enzensberger vem a São Paulo para três encontros abertos, a convite do Goethe-Institut São Paulo, Instituto Moreira Salles e Companhia das Letras. Neles, o intelectual dialogará com pensadores brasileiros, lançará seu mais recente livro Hammerstein ou A Obstinação e participará de noite de poesias. É a segunda vez que Enzensberger vem ao país, sendo sua obra conhecida no Brasil, tanto pela academia quanto pelo público. Entre suas obras traduzidas para o português estão A outra Europa (Companhia das Letras, 2006), O diabo dos números (Companhia das Letras, 2000) e Elementos para uma teoria dos meios de comunicação (Conrad, 2003).

Nascido em 1929, Enzensberger pertence a uma esquerda crítica, inovadora e livre. Desde sua estréia literária, foi visto como “agitador“ e “terror da classe média“. Seus ensaios e obras literárias, lapidares e contundentes, expressam suas reflexões sobre a política, a crítica social e a tradição literária. Foi membro do Grupo 47, importante marco da renovação literária alemã, e professor convidado de poesia na Universidade de Frankfurt. De 1965 a 1975, editou a Revista Kursbuch, que exerceu grande influência no movimento estudantil e em 1985 fundou a coleção Die Andere Bibliothek, que traduziu e publicou na Alemanha importantes escritores de todo o mundo, entre eles, Machado de Assis.

Recebeu, entre outros, os prêmios Georg Büchner (1963), Heinrich-Böll (1985), Heinrich-Heine (1998) e Premio d’Annunzio (2006) em reconhecimento pelo conjunto de sua obra. Sua versatilidade e produtividade lhe asseguraram um lugar de destaque na literatura do pós-guerra e no debate cultural das últimas décadas, sendo reconhecido como uma das grandes figuras da cena literária mundial.

Programa

12 de junho, sexta
19h30
Goethe-Institut São Paulo

Encontro O Alfabeto da crise: cultura e política em questão
Com Hans Magnus Enzensberger e Fernando Gabeira

Enzensberger dialoga com o jornalista, escritor e deputado federal Fernando Gabeira a respeito da crise política e cultural. Enzensberger publicou recentemente um pequeno “alfabeto pessoal”, em que discorre com argúcia e bom humor sobre os principais termos e personagens do noticiário econômico, em busca do sentido corrente de expressões como “economia real”, “cassino” e “gerenciamento de riscos”, entre outros.

15 de junho, segunda
19h30
Goethe-Institut São Paulo

Lançamento do livro Hammerstein ou A Obstinação de Hans Magnus Enzensberger (Cia das Letras)
Debate com o autor, Jorge de Almeida e Márcio Seligmann-Silva

Enzensberger participa do lançamento de seu mais recente livro Hammerstein Ou A Obstinação, pela editora Companhia das Letras, com tradução de Samuel Titan Jr. O autor buscou fontes no mundo inteiro para retratar o destino de Kurt von Hammerstein, chefe do Exército alemão e oponente ao nazismo, de sua mulher e de seus sete filhos. Mesclando poesia e verdade, fatos e ficção em um único livro, Enzensberger retrata um dos mais tempestuosos episódios da história alemã, marcado pela traição e pela resistência. O lançamento é seguido de debate com Jorge de Almeida (USP) e Márcio Seligmann-Silva (Unicamp).

16 de junho, terça
18h
Anfiteatro de História (FFLCH/USP)
Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 – Cidade Universitária

Uma noite de poesia com Hans Magnus Enzensberger e Antonio Cicero
Comentários de Viviana Bosi

Uma seleção de poesias do livro Rebus (Suhrkamp Insel, 2009) de Hans Magnus Enzensberger, será lida pelo autor em alemão e em português pelo poeta e filósfo Antonio Cicero, com comentários de Viviana Bosi (USP).

Os 100 melhores livros de 2008, pelo NYT

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Por Danilo, 12/11/2009 19:44

O tradicional caderno literário do The New York Times, o New York Times Book Review, publicou uma lista com 100 livros notáveis de 2008. A lista não é muito abrangente, haja vista que só engloba os volumes resenhados pelo suplemento, mas é bem interessante.

Segue o link: 100 Notable Books of 2008.

Borges y Yo

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Por Danilo, 12/11/2009 18:52

Jorge Luis Borges dispensa apresentações. Não só foi dos maiores escritores latino-americanos de todos os tempos, mas também um homem extremamente sensível, distinto e honesto (qualidades talvez mais raras do que aptidões artísticas, sobretudo nessas terras tropicais). Como de costume, me deparei com algumas páginas do argentino, e lembrei-me de seu famoso poema em prosa “Borges y Yo“. Segue aqui o texto, lido pelo próprio autor. Clique abaixo para ouví-lo.

“Borges y Yo”

Al otro, a Borges, es a quien le ocurren las cosas. Yo camino por Buenos Aires y me demoro, acaso ya mecánimente, para mirar el arco de un zaguán y la puerta cancel; de Borges tengo noticias por el correo y veo su nombre en una terna de profesores o en un diccionario biográfico. Me gustan los relojes de arena, los mapas, las etimologías, la tipografía del siglo XVIII, el sabor del café y la prosa de Stevenson; el otro comparte esas preferencias, pero de un modo vanidoso que las convierte en atributos de un actor. Sería exagerado afirmar que nuestra relacíon es hostil; yo vivo, yo me dejo vivir, para que Borges pueda tramar su literatura y esa literatura me justifica. Nada me cuesta confesar que ha logrado ciertas páginas válidas, pero esas páginas no me pueden salvar, quizá porque lo bueno ya no es de nadie, ni siquiera del otro, sino del lenguaje o la tradición. Por lo demás, yo estoy destinado a perdeme, definitivamente, y sólo algún instante de mí podrá sobrevivir en el otro. Poco a poco voy cediéndole todo, aunque me consta su perversa costumbre de falsear y magnificar. Spinoza entendió que todas las cosas quieren perseverar en su ser; la piedra eternamente quiere ser piedra y el tigre un tigre. Yo he de quedar en Borges, no en mí (si es que alguien soy), pero me reconozco menos en sus libros que en muchos otros o que en el laborioso rasgueo de una guitarra. Hace años yo traté de librarme de él y pasé de las mitologías del arrabal a los juegos con el tiempo y con lo infinito, pero esos juegos son de Borges ahora y tendré que idear otras cosas. Así mi vida es una fuga y todo lo pierdo y todo es del olvido, o del otro.

No sé cuál de los dos escribe esta página.

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