Category: Jazz

Sinatra e Jobim

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Por Danilo, 12/11/2009 19:40

Como todos sabem, a Bossa Nova fez 50 anos em 2008. Para comemorar essa data memorável, trago aqui um belo vídeo: Francis Albert Sinatra e Antonio Carlos Jobim, juntos, em um especial para a televisão americana. O ano é 1967. Vejam só:

Thelonious

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Por Danilo, 12/11/2009 19:38

Thelonious Monk é o músico mais excêntrico da história do jazz. Pianista genial, é considerado um dos criadores do bebop, e algumas de suas músicas (”Well You Needn’t“, “‘Round Midnight“, “Straight No Chaser“) são hoje amplamente reconhecidas como standards do estilo.

O vídeo abaixo é de “Evidence“, e foi gravado em uma apresentação do quarteto no Japão em 1963. Reparem no estilo percussivo de Monk ao piano, e, claro, em sua curiosa “dança” no meio da canção. Sensacional. :)

What a wonderful world…

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Por Danilo, 12/11/2009 19:37

Não é possível falar de jazz sem citar o grande Louis Armstrong. Como nos dois últimos posts eu comentei sobre esse estilo, é justo prestar uma homenagem ao grande mestre. Segue aqui o vídeo de sua canção mais famosa, “What a wonderful world“. Ao menos para mim, essa música sempre me lembrou que não importa o quão ruim as coisas estão, elas logo ficarão melhores. Espero que isso aconteça com vocês também. :)

Kind of Blue

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Por Danilo, 12/11/2009 19:36

Eu não me incomodaria em morar em uma ilha deserta, contanto que pudesse levar o Kind of Blue comigo. Na minha opinião de apreciador leigo de jazz, esse é o melhor disco do estilo. Também, com o time de músicos que gravou o álbum, só poderia sair coisa fina. Olha só a escalação: Miles Davis no trumpete, Julian “Cannonball” Adderley no sax alto, Bill Evans no piano, Paul Chambers no contrabaixo, Jimmy Cobb na bateria e, claro, o espetacular John Coltrane no sax tenor. Comparar esse grupo com outras bandas de jazz é como comparar a seleção brasileira de 1970 com o futebol do Dunga. Chega a ser covardia.

Mas voltemos ao som, que é o que importa. Caso algum de vocês não tenha tido o prazer de ouvir esse ótimo disco, segue aqui uma pequena introdução. É uma belíssima versão ao vivo de “So What”, a música que abre o Kind of Blue. Achei esse vídeo no YouTube, e, pelo que eu soube, é uma jam session de 1960, gravada na Alemanha, embora sem a formação completa do disco. Felizmente, uma alma caridosa colocou à disposição de todos. De minha parte, faço questão de compartilhar esse vídeo com vocês. Ver Coltrane e Miles juntos é espetacular.

Bibliografia: “História Social do Jazz”

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Por Danilo, 12/11/2009 19:36

Louis

O livro da semana é “História Social do Jazz” (”The Jazz Scene“), escrito por Eric Hobsbawm em 1959. Na verdade, o autor desse livro não é o historiador inglês, mas um certo Francis Black, colunista de jazz que possui o mesmo nome de um famoso trumpetista da época. Calma: na verdade, os dois são a mesma pessoa. Hobsbawm escreveu este livro usando um pseudônimo, em uma tentativa de separar o ‘historiador acadêmico’ do ‘cronista de jazz’, uma vez que este estilo, naquele tempo, não detinha o mesmo prestígio que possui atualmente. Em poucas palavras, um acadêmico respeitável não escreveria sobre um “tema tão vulgar” quanto aquele. Mas, felizmente, Hosbawm não seguiu esse conselho e escreveu um excelente livro. Para a sorte nossa e da música.

“História Social do Jazz” é hoje um bestseller. Traduzido para o francês, tcheco, espanhol, português, italiano, grego e japonês, o livro mostra que não só o enorme prestígio de seu autor mundo afora, mas também que os leitores não perderam o interesse no jazz, uma das formas de música mais importantes do século XX (e espero que do XXI também).

Na “Introdução à edição de 1989″, presente na atual versão brasileira, Hobsbawm traça a linha-mestra de seu livro: seu objetivo não é estudar o jazz em si mesmo, mas o jazz na sociedade, a forma na qual esse estilo musical surgiu e disseminou-se pelo mundo. O jazz, um dos derivados do blues americano, música de negros da periferia, hoje atingiu um patamar invejável de apreciação e culto em vários países, e é importante explicar o que há de especial nesse fenômeno cultural.

Mas o que é curioso é que o jazz, ao contrário de outros estilos, sempre teve um relação muito complicada com o mercado. Existia – e de certa forma ainda existe – uma permanente tensão entre arte e comércio no jazz. A cada ’surto de popularidade’ de uma corrente de jazz, logo surgia um movimento oposto, tentando recolocar o estilo apenas para os ‘iniciados’. Talvez aí esteja uma das causas da crescente complexidade harmônica e melódica do jazz, como alguém pode perceber ao comparar uma antiga big band dos anos 1930 com um conjunto de free jazz dos anos 60. Se na primeira havia um forte senso de harmonia e estrutura (pensemos em Glenn Miller), no segundo, não há nenhuma relação direta entre tonalidade ou ritmo entre os integrantes (como vemos em Ornette Coleman). Por um lado, um tipo pasteurizado de jazz disseminou-se por toda a cultura pop; por outro, seu estilo baseado no improviso dificulta a padronização necessária à produção cultural de massa. E assim, em expansões e contrações, o estilo mantem-se até os dias atuais.

Nos capítulos seguintes, Hobsbawm traça um minucioso panorama histórico do jazz. Mostra suas origens no blues rural, a típica música dos negros pobres dos EUA. Depois, o jazz passa a habitar as cidades, que se expandiam grandemente no começo do século XX, e adapta-se totalmente a esse novo contexto. É justamente por ter se tornado uma forma de expressão urbana, e envolver uma série de profissões urbanas em sua realização (empresários, produtores, publicitários, agentes de show), que o jazz passou a ser o estilo musical mais famoso dos anos 1930-50. Há também os conflitos entre negros e brancos, que permeia grande parte da história do jazz e dos EUA: como não lembrar que a cantora Bessie Smith morreu porque negaram-lhe atendimento em um hospital só para brancos? Ou então que muito do lucro do jazz ficaria na mão dos empresários – em sua maioria brancos – enquanto vários dos artistas negros continuariam a ter sérios problemas financeiros?

Mas nem tudo é tristeza. O jazz, afinal, sobreviveu aos tempos difíceis e continua firme e forte. Talvez seu sucesso venho do fato do jazz ser uma arte contraditória, como os homens que a criaram: apesar de centenário, o jazz renova-se todas as noites, pois a improvisação ainda é sua base fundamental; é música de solistas, mas nunca o conjunto foi tão importante; é estilo de elite, mas o mundo todo conhece seus standards; é difícil de se compreender, mas todos sorriem ao ver Louis Armstrong cantar.

“História Social do Jazz” é uma boa introdução a esse mundo musical. É provável que o livro possa ser melhor apreciado caso seja lido em conjunto com outro manual, como o “The Penguin Guide to Jazz Recordings” ou o “The Cambridge Companion to Jazz“, ambos excelentes em informações biográficas dos maiores músicos de jazz. Mas isso de modo algum retira a importância do livro de Eric Hobsbawm, cujo mérito está em analisar o jazz não só em termos estéticos, mas como um movimento social. Na verdade, aí reside sua grande importância. :)

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