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Um grande Maranhão

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Por Danilo, 12/11/2009 20:34

Na sua já célebre entrevista a Veja, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) concluiu explicando o motivo pelo qual seu partido quer cargos: “Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral.”

Antes que secasse a tinta que imprimiu as declarações de Jarbas, como se para comprová-las e ridicularizar a nota de frouxa indignação emitida pelo PMDB, veio à luz o episódio exemplar do Real Grandeza, o fundo de pensão de Furnas. A operação de tomada de assalto da direção do fundo, que administra um patrimônio de R$ 6,3 bilhões, foi tramada dentro do Executivo, pelo ministro Edison Lobão, que agia ostensivamente em nome do PMDB, e brecada na última hora por intervenção de um presidente da República acossado pela mobilização dos funcionários e pensionistas da estatal.

Lobão abriu sua ofensiva por meio de uma entrevista a O Globo na qual acusou os dirigentes do Real Grandeza de praticarem “uma bandidagem completa” e promoverem “uma grande safadeza” com a finalidade de “não perder a boca”. Se as palavras do ministro tivessem significado, ele pediria demissão na hora em que foi desautorizado pelo presidente. Na outra ponta, Lula não o desautorizaria sem o demitir, se a privatização da coisa pública não fosse moeda corrente no negócio que mantém com o PMDB. Mas Lula e Lobão nem sequer coraram: eles conhecem as regras do jogo.

Pedro Simon, um homem inocente, exigiu de Jarbas uma lista de nomes dos corruptos. Jarbas não fez uma denúncia de corrupção, mas um diagnóstico político, que solicita complementos. O sistema político brasileiro, reorganizado nos estertores da ditadura militar, articula-se ao redor de quatro grandes partidos: PT, PSDB, DEM e PMDB. Os três primeiros veiculam, bem ou mal, narrativas ideológicas sobre o Brasil e o mundo. O quarto, contudo, não é de fato um partido, mas a expressão maior do cancro patrimonialista que envenena todo o sistema político. No fundo, o PMDB é uma abóboda sob a qual se abrigam comandos de captura parcelar do Estado.

“O patrimonialismo é a vida privada incrustada na vida pública”, escreveu Octavio Paz. Na mesma passagem de O ogro filantrópico, ele aponta o paradoxo crucial do Estado mexicano, que foi “o agente principal da modernização” mas “ele mesmo não conseguiu se modernizar inteiramente”. O peso do passado manifesta-se na atitude do chefe do governo, que “considera o Estado como seu patrimônio pessoal” e, por essa razão, o corpo de funcionários públicos, “dos ministros aos contínuos e dos magistrados e senadores aos porteiros, longe de constituir uma burocracia impessoal, forma uma grande família política ligada por vínculos de parentesco, amizade, compadrio, conterraneidade e outros fatores de ordem pessoal”. O Brasil não experimentou uma revolução que se institucionalizou como partido oficial. Mas aqui, como lá, jamais se traçou uma fronteira nítida entre a “vida privada” e a “vida pública”. O PMDB só existe porque inexiste esta fronteira.

Um tema crucial na literatura de oposição à ditadura militar brasileira era a crítica ao poder da chamada tecnoburocracia. Os militares excluíram os políticos do núcleo do aparelho de Estado. A ARENA, partido oficial da situação, acolheu a parcela da elite política conformada com a subordinação imposta. No MDB, partido oficial da oposição, abrigaram-se os políticos insatisfeitos, que almejavam retornar ao centro do palco. A transição negociada de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves representou um triunfo do MDB. A tecnoburocracia retrocedeu e restaurou-se o acesso da elite política às fontes da riqueza pública. Sob a presidência de Sarney, o líder da ARENA transferido para o PMDB, salgou-se a terra em que germinava a oportunidade de uma reforma modernizante do Estado.

No México dos tempos áureos do PRI, as maiorias parlamentares eram automáticas. No Brasil, são construídas pelo Executivo, por meio da privatização oculta dos fragmentos mais cobiçados do aparelho de Estado. A corrupção é a face complementar da degradação do Parlamento. O PMDB é, por natureza, o eterno partido da situação. De Sarney a Lula, o partido sem programa nem idéias configurou as maiorias governistas de todos os presidentes. Agora, no acender das luzes da campanha de 2010, os peemedebistas formam provisórias colunas distintas, alinhadas atrás dos principais candidatos ao Planalto. O PMDB estará na próxima base governista, com Serra, Dilma, Aécio ou Ciro, praticando o esporte no qual se especializou: chantagear presidentes, vendendo apoio parlamentar em troca de cargos que servem como chaves para “manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral”.

O PMDB descrito por Jarbas, uma hidra de múltiplas cabeças, tem em Sarney sua figura icônica. O representante parlamentar do poder militar em crise, o presidente improvável que distribuía freneticamente concessões de rádio à sua vasta curriola enquanto o país naufragava no mar da hiperinflação, o “oligarca eletrônico” do pobre Maranhão, na síntese precisa empregada recentemente pela revista The Economist, converteu-se anos atrás em aliado interessado de Lula. Nessa condição, ele controla uma fatia do Estado, na qual se encontram o ministério e as estatais subordinadas a seu afilhado político Lobão. Agora, com o patrocínio de um Lula que só tem olhos para 2010, a personificação do patrimonialismo retorna à presidência do Senado. Como disse Jarbas, seu desígnio é transformá-lo “em um grande Maranhão”.

Por Demétrio Magnoli.

O ambiente pastoso da “pax luliana”

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Por Danilo, 12/11/2009 20:14

O ambiente pastoso da “pax luliana”

Crise desperta atores sociais do sono causado pela concórdia luliana, mas muita gente não parece saber de que lado está

Vinícius Torres Freire, da Folha de São Paulo

FHC DIZIA , em tom de troça, que a esquerda e o PT não combatiam o capital, mas o governo. Se a piada fosse levada a sério, num governo do PT o conflito político-social aberto tenderia a zero. Era só piada? A celeuma detonada pelo ministro do Trabalho revela alguns nós do conflito de fato amarrado no ambiente pastoso da “pax luliana”.

O ministro criticou demissões e empresários, os quais se revoltaram, reafirmaram demissões, jornadas e salários menores e ainda repuseram na mesa o fim da CLT, ora já em curso, comida pelas bordas. Enquanto isso, sindicatos parecem desnorteados. A crise assim desperta os contendores da disputa político-social, mas eles parecem não saber muito bem de que lado do ringue estão.

A ascensão final do lulismo, que sugou e embalsamou o petismo, provocou uma radicalização por assim dizer simbólica. Lula e o conjunto de sua obra são detestados por uma minoria, minoria porém muita vez “orgânica”, entre eles a direita que agora ousa dizer o seu nome, embora esse partido direitista ainda viva mais restrito ao mundo das palavras. Mas, afora essa minoria, o resto é uma mistura avacalhada.

Note-se que a grande empresa ou seus órgãos de classe são pela “responsabilidade social”. Quando mais políticos, constituem uma ala do partido desenvolvimentista. Este é uma colcha de retalhos mal costurada de industriais paulistas (e seus tentáculos no resto do país), economistas “heterodoxos”, da cúpula petista no governo etc. Batem-se com o BC e, em parte, com os bancos.

A oposição política, em suma partidos fora do poder federal, limita-se a esperar uma oportunidade de ir à jugular de Lula a fim de ganhar a eleição. Não entra no debate público, não tem projeto político ou nacional, vota populismos com o governo e tira casquinhas. Nada mais. A Casa das Garças, instituto de pesquisa de economistas liberais, muitos tucanos e financistas, é um partido mais relevante e infinitamente mais inteligente que PSDB e DEM.

O que restou da oposição “popular”? De petismo, centrais sindicais, “movimentos sociais”, MST, ONGs? Cumpriram a profecia debochada de FHC. Encaixaram-se no Estado ou são por ele manipulados, caso de centrais sindicais (CUT, Força, tradicionalmente pelega etc.). O MST ora faz só chacrinhas ocasionais, manietado pela adesão a Lula e algo esvaziado pelo efeito das bolsas sociais. ONGs e “movimentos sociais”, que sempre tenderam à despolitização, negociam seus pleitos diretamente com burocratas lulianos, vários deles ex-líderes “sociais”.

Os sindicatos perderam força e coesão com a abertura econômica e a desconcentração industrial, faces da mesma moeda. De resto, as centrais sindicais se fragmentaram e parte delas está em sintonia com o governo e/ou aceita o desmonte da lei trabalhista (que demanda reforma, não desmonte). No fim das contas, é como se “trabalho e capital” tivessem aparado arestas no “Conselhão” de Lula, o que não é possível além da ideologia, mas ocorre politicamente, ao menos até agora.

A crise começa a chegar nesse ambiente pastoso, em que identidades políticas e sociais se derreteram no cadinho do “Conselhão”, não exatamente lá, mas no “Conselhão” como símbolo da “pax luliana”.

Sobre o estado moderno no Ocidente

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Por Danilo, 12/11/2009 20:00

Hoje resolvi procurar alguns artigos científicos no portal Scielo. Com um excelente número de publicações nacionais, o portal é sempre um bom lugar para ler textos inteligentes. Chamou-me a atenção um artigo da Lua Nova, revista de cultura e política, que trata sobre o estado moderno, em um ponto de vista histórico bem abrangente. O autor é Modesto Florenzano, professor do Departamento de História da FFLCH-USP.

Segue o link para o artigo, cuja leitura é gratuita: Modesto Florenzano – Sobre as origens e o desenvolvimento do estado moderno no ocidente.

Os mais poderosos do mundo, pela Newsweek

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Por Danilo, 12/11/2009 19:56

A revista Newsweek elegeu sua “The Global Elite“, a lista das 50 pessoas mais poderosas do mundo. Sem qualquer novidade, o primeiro da lista é o presidente eleito dos EUA, Barack Obama. O presidente Lula também está na seleção, em um supreendente 18º lugar. Mas o interessante é que Lula foi “premiado” não pelas ações das quais se vangloria, mas por sua “política fiscal inteligente”: “Brazil, once at the edge of ruin, now has $207 billion in Treasury reserves and the lowest inflation rate in the developing world. Thanks to Lula’s fiscal smarts, Brazil is among the world’s healthiest emerging economies“. Ou seja, Lula ganhou o prêmio em nome de Henrique Meirelles.

Os 10 mais influentes:

1. Barack Obama (presidente eleito dos EUA)
2. Hu Jintao (presidente da China)
3. Nicolas Sarkozy (presidente da França)
4-5-6. ‘Triunvirato Econômico’ (formado por 4. Ben Bernanke, presidente do Fed, 5. Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), e 6. Masaaki Shirakawa, presidente do BC japonês)
7. Gordon Brown (primeiro-ministro britânico)
8. Angela Merkel (premiê alemã)
9. Vladimir Putin (primeiro-ministro russo)
10. Abdullah bin Abdulaziz Al-Saud (rei da Arábia Saudita)

A lista completa pode ser vista aqui: Newsweek – The Global Elite.

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